Sábado, 25 de Setembro de 2010

TENHO DE CONTAR

Já passou quase um mês. Parece que foi ontem. Tenho que vos contar o que me aconteceu. Se não contar….rebento.

Pois é. Eu tive um sonho que começou no dia anterior as comemorações dos nossos 135 anos. Depois destes dias todos, com notícias, carros antigos, bicicletas e outras formas de rendimentos para continuar a saga da confraria, eis que tudo começou assim:

Fartamo-nos de treinar durante todo o dia, não havia água para tomarmos banho e alguém falou no Rio Douro. Lá fomos. Faltaram as toalhas. Acabamos por vir a pé para o quartel. Não havia condições para estarmos naqueles propósitos e lá tiveram de arranjar jantar para todos. A fome era tanta de todos, que as chouriças que o oferecido assou para os acólitos em privado, foram comidas por nós que demos o máximo para chegarmos primeiros, são e salvos. A causa: não havia gasóleo para os dois dias. Ninguém conseguiu dormir nessa noite. Todos estavam excitados pelo excelente programa do dia seguinte. Demorou a colocar o tapete vermelho para todas as individualidades e o que custou mesmo, foi arranjar cadeiras para todos se sentarem. As confirmações foram muitas e tivemos que pedir, contrariados, por empréstimo, as cadeiras das explanadas das proximidades. Até foi previsto estar pessoal na central. Todos os fotógrafos e operadores de câmara iriam para lá. Foi-me dito que não podemos facilitar para projectar a nova figura de oportunismo entre nós. Fartou-se de distribuir fotos assinadas, qual atleta de selecção. Algumas pessoas duvidavam que era ele, porque estava de capacete e não lhe fica nada bem, dizem. Eu concordo. Dormimos mal. Não houve papel higiénico para todos. Foi complicado porque as paredes estavam limpinhas para a festa, mas lá teve que ser. Depois, tudo complicou. Acordamos com choros dos que não tiveram camas, a reclamar atenção. Houve até quem se deslocasse em camisa de noite para sossegar algumas almas. Isto sim, são pessoas muito boas, pensei eu. Depois, já muito perto do amanhecer lá nos chamaram e, sem fazer barulho fomos preparar os pequenos-almoços. O pessoal de outras corporações de mais longe, já estavam nas imediações das residenciais e aqueles que faziam parte das Fanfarras dormiram no batalhão, já vinham nos autocarros. Tantos convidados. Isto de ser bombeiro e estar a servir numa casa com 135 anos é fixe. Fizemos as apresentações, a avenida, desde a festa do artista na noite anterior, estava fechada. Começaram a chegar as grandes figuras. Pessoas que me habituei a ver ao meu lado, a fazer serviços. Senti-me muito bem. Não estava sozinho. Mandaram formar. Seca. Lá chamaram por mim e tiveram que me empurrar porque não queria receber nada. Como insistiram, lá fui a tremer todo. As palavras que me disseram não vou esquecer mais. Isto de receber em troca de não fazer nada, é o slogan da confraria. Fiquei muito triste. Fui confundido com um confrade. Não é possível. O meu dia começou a piorar….logo a seguir foi dado intervalo, a possibilidade de trocarmos números de telemóveis com outros colegas de outras corporações. Alguns elementos já estavam por dentro de tudo, porque já tinham uns cartõezinhos preparados. Disseram ser uma técnica do Facebook. Ai se eu soubesse….Nova formatura, agora para ouvirmos os discursos. Ganda seca, maior que a primeira, porque nós sabemos que este pessoal que discursa, quando promete, faz mesmo e pessoal desesperar. Falaram em tanta coisa, trabalho, serviços, urgências, muito dinheiro para ganhar, condições para o pessoal e o quartel novo. Tudo ia mudar, até quem anda aos recados e quem continua a fazer o que quer e ainda lhe pagam por cima. Até arrepia só de pensar. Vamos ter tudo. Isto é fixe…estamos salvos. Vamos andar numa de bicicletas, o carro do peixe vai voltar a andar, não da Lapa como antigamente, mas dos lados de Leça e, muito importante, turista que ande no Porto, vai aparecer e contribuir. Com a nova reentré, politica e social, já está afixada por Estrasburgo, Bruxelas, Ribeira e Marginal de Gaia e até em algumas Caves e hotéis, a informação dessa obrigatoriedade. Estamos, finalmente, salvos. Para compensar todos estes turistas das valiosíssimas ofertas em guito que vão depositar, ainda não se sabe onde, vão receber, já autografadas, fotos que podem escolher que vão desde o coelhinho, o coelho, o pinto, o pintainho. O noddy recusou-se a mudar de fato e não ficou muito bem na frente do muro branco, mas sabe-se, pelo menos que tem gravata. Muito bem, dizem uns. Eu não concordo. Devia tirar, acho-a muito grande, mas os gostos não se discutem. O último discurso foi emocionante. Tantos tam tans. Arrepia mesmo. A homenagem aos que já não estão entre nós, é sempre o ponto mais alto. Os colegas das outras corporações disseram que nos vão copiar. Lá foram ouvindo o vilas. Outras figuras não fizeram o mesmo porque ninguém queria saber. Depois é importante deixar falar o bombeiro mais antigo. Só neste aniversário soube que ele ouvia mal. Conta-se que ficou assim por sair muitas vezes para incêndios a tocar a sineta do carro do peixe. Chamaram-lhe jóia. Carro mais antigo ao serviço. Tantas coisas bonitas. Disseram que há um ao serviço mas mais novo na Bélgica. O oferecido faz questão de sair só nele, daí ter uns óculos daquelas dos motoristas antigos. Quando o vi pela primeira vez naqueles propósitos, ate pensei que ele fosse soldar alguma coisa. Nada disso. Ele não sabe soldar. Dizem que ele não sabe nada, só arma tudo para aparecer na frente. Não fui por acaso que se ofereceu em muitos sítios e só caiu aqui. Falam que tem medo de sair a fogo, e está mais habituado a outro tipo de servicinhos. Muitas palmas e muitas vivas, gritos histéricos. Merecemos.

O próximo compromisso será arranjar noutros quartéis, mecânicos que queiram trocar. A publicidade enganosa de recebermos bem, todos os que querem servir os outros está a surtir efeito. As inscrições fazem-me lembrar os Ídolos. O mal é quando se acorda.  E lá fomos todos para o almoço. As regras eras poucas. Não valia virar a báscula, meter para os bolsos e beber bebidas alcoólicas. Concordo, temos pelo menos num dia no ano, dar um ar de civilizados. A vergonha de todos era tanta que o almoço ficou todo nas mesas. Um desperdício. E então, alguém se lembrou…porque não dar aos pombos, às gaivotas e aos patos junto do rio. Bora lá….acabamos a tarde em beleza, ao sol, porque esteve sempre muito bom tempo, a fazer uma boa acção. O oferecido uma vez mais falhou. Ficou de contar os bicos e a determinada altura perdeu a vontade quando a bela o deixou a contar sozinho. Foi a única nuvem negra. E acordei. Ora bolas foi um sonho. Algumas figuras sinistras são actores de pesadelos. Só podia.

publicado por portovoluntario às 17:50
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