Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

DIZER A VERDADE MESMO ÁS CRIANÇAS

Caso de polícia nem pensar! Todos conhecemos a história. Trago para aqui a decisão dos tribunais.

Saiu, finalmente, a sentença do caso do Capuchinho Vermelho e o Lobo Mau. A versão da justiça portuguesa em relação ao Capuchinho Vermelho e ao Lobo Mau é a seguinte:

Visto e considerando os acontecimentos por todos conhecidos, declaro-se:

1) Que Capuchinho não desconhecia que podia encontrar-se com o Lobo Mau.

2) Que tampouco era alheia à fome do Lobo Mau, nem aos perigos do bosque.

3) Que, se tivesse oferecido a cesta da merenda para que o Lobo Mau acalmasse a sua fome, não teriam ocorrido os factos referidos.

4) Que o Lobo Mau não ataca o Capuchinho de imediato, e há evidências claras de que primeiro conversa com ela.

5) Que é Capuchinho quem voluntariamente dá pistas ao Lobo Mau e lhe ensina o caminho da casa da avozinha.

6) Que a anciã não é imputável já que confunde a sua neta com o Lobo Mau.

7) Que, quando Capuchinho chega a casa da avozinha e o Lobo Mau está na cama com a roupa daquela, Capuchinho não se assusta.

8) Que o facto de Capuchinho confundir o Lobo Mau com a avozinha demonstra a pouca frequência das suas visitas, facto que se tipificaria como abandono de pessoa idosa por parte da jovem Capuchinho.

9) Que o Lobo Mau, com perguntas simples e directas, quer desesperadamente alertar Capuchinho sobre a sua possível conduta final.

10) Que quando o Lobo Mau, que já não sabe que mais pode fazer para alertá-la, come a Capuchinho, é porque já não lhe restava outra solução.

11) Que é altamente possível que antes Capuchinho tenha feito amor com o Lobo Mau e inclusivamente lhe agradara.

12) Que se depreende do ponto anterior que é Capuchinho quem provoca os mais baixos instintos brutais e predadores, na pobre fera.

13) Que o Lobo Mau ataca, mas tal facto corresponde à sua própria natureza e ao seu instinto natural e animal, exacerbados pela conduta da sedutora Capuchinho.

14) Que merece uma referência à mãe de Capuchinho que exibe culpabilidade por não acompanhar a sua filha conhecendo os perigos do bosque.

Por tudo o já dito, disponho o seguinte:

1.- Absolver o Senhor Lobo Mau.

2.- Condenar a família de Capuchinho, impondo à avó que se apresente no hospital que se designe, para sua observação gerontológica.

3.- Condenar a mãe, para que cumpra correctamente  os seus deveres maternais.

4.- À Capuchinho condeno-a a:

a) Trabalho comunitário no zoológico local para conhecer plenamente a natureza e o instinto animal.

b) Indemnizar o Sr. Lobo Mau à razão de 800 € mensais. Pagar-lhe os almoços e jantares nos dias festivos e após deslocações mesmo tratando-se de passeios e preparar-lhe todas as tardes a merenda durante um ano.

c) A pagar as custas do processo.

Esclarecer com a presente sentença que este processo não afecta o bom-nome e honra do senhor Lobo Mau.

Publique-se, arquive-se, e tenha-se por firme a presente sentença.

 

Há sempre alguém que culpe a vítima e defenda o Lobo Mau.

publicado por portovoluntario às 17:26
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